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13.08.2018
Pesquisas apontam que 90% das pessoas com apneia do sono desconhecem diagnóstico

Doença é caracterizada por pequenas pausas dos movimentos respiratórios durante sono; Problema, quando não tratado, torna-se fator de risco para hipertensão, arritmia cardíaca, AVC e disfunção erétil

 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que 40% da população possui algum distúrbio do sono. E a apneia é o problema mais comum entre eles. Esta síndrome é caracterizada pela falta e início dos movimentos respiratórios repetidamente durante a noite. As pausas são de duração variável, geralmente maior que 10 segundos. “Com as pausas na respiração, ocorre uma baixa oxigenação. Quando isso acontece, uma mensagem é enviada ao cérebro de que é preciso respirar para não morrer. A pessoa então acorda e recupera a respiração. Isso pode acontecer diversas vezes durante a noite. Em geral, o paciente não lembra desse momento”, explica Dr. Rodrigo Magalhães, médico otorrinolaringologista da Clinicerta, clínica popular no centro de Belo Horizonte.

O especialista ainda afirma que a apneia é considerada normal quando acontece até cinco vezes por hora. De cinco a 15 ocorrências, ela é tida como leve; já de 15 a 30, o grau é moderado. “Por outro lado, pessoas que têm acima de 30 episódios por hora, apresentam um grau severo da síndrome e, portanto, precisam buscar ajuda médica urgente”, completa, acrescentando que a doença é comum em ambos os sexos e pode aparecer em qualquer idade, principalmente em pessoas de 30 a 60 anos. “Até mesmo crianças podem desenvolver a síndrome. No caso da apneia infantil, o principal fator que contribui para seu surgimento é o crescimento anormal das amígdalas e da adenoide, o que pode ocasionar o bloqueio das vias aéreas”, explica. Essas duas estruturas, localizadas próximas à boca e ao nariz, são responsáveis por ajudar o organismo a produzir anticorpos e células de defesa.

Fazem parte do grupo de risco, ou seja, aqueles que estão mais sujeitos ao distúrbio, pessoas com sobrepeso, estreitamento das vias aéreas, histórico familiar de apneia e que abusam do álcool e tranquilizantes para controle de ansiedade. “Essas substâncias podem relaxar os músculos da garganta”, completa Dr. Rodrigo.

Os principais sintomas, por sua vez, estão relacionados à alteração do padrão normal de sono da pessoa. Magalhães explica que, mesmo sem se dar conta de sua respiração enquanto dorme, o paciente com apneia pode perceber que tem o problema através de sinais claros no decorrer do dia. “Ele [o paciente] não atinge os quatro estágios do sono, ou seja, não consegue ter um sono restaurador, profundo. Isso não significa que este paciente terá insônia. Pelo contrário: Vai achar que dormiu, mas, na verdade, não descansou completamente devido as pausas na respiração. Consequentemente irá sentir um cansaço muito grande no dia seguinte, devido a noite mal dormida, sonolência diurna aumentada, dor de cabeça pela manhã, baixa capacidade de concentração e memória, irritabilidade e a longo prazo, até mesmo, depressão”, destaca o médico.

Outro sintoma muito comum da apneia, conforme aponta Rodrigo, é o ronco. Geralmente as pessoas com a síndrome roncam bastante. “Este é, inclusive, o principal motivo que leva o paciente a procurar o médico e, consequentemente, descobrir o problema”.

Pesquisas apontam que 90% das pessoas que sofrem desse mal não foram diagnosticadas. A maioria, geralmente, fica sabendo que o sono não está normal através do parceiro/cônjuge. Este, muitas vezes, se assusta com o ronco da pessoa com a qual dorme e ainda nota que ela fica períodos sem respirar durante a noite e logo em seguida acorda sufocada.

Esse desconhecimento do diagnóstico torna a questão mais alarmante. Isso porque, segundo Rodrigo, a perda de oxigenação no corpo, causada pela síndrome, gera um fator de risco para hipertensão e arritmia cardíaca. “Além disso, leva ao aumento do risco para Acidente Cardiovascular Cerebral (AVC), infarto, disfunção erétil, entre outros problemas”, revela. Em razão da sonolência diurna, as pessoas com apneia do sono também apresentam um risco maior de sofrer acidentes de automóvel por dirigir com sono e acidentes de trabalho por adormecer no serviço.

Diagnóstico e tratamento

Para realizar o diagnóstico de apneia, o médico poderá submeter o paciente, muitas vezes, a uma avaliação noturna, a fim de monitorar sua respiração e outras funções do corpo durante o sono. Este exame noturno chama-se polissonografia. “Durante o teste, ele [o paciente] dorme e permanece conectado a um equipamento que monitora as atividades do coração, pulmão e cérebro, além de identificar um padrão na respiração e nos movimentos dos braços e das pernas. O aparelho também monitora os níveis de oxigênio no sangue”, explica Magalhães.

Esses dados são importantes já que nos episódios de apneia, a oxigenação do sangue cai bastante.

Uma vez identificada a síndrome, o objetivo do tratamento é manter as vias respiratórias abertas para que a respiração não seja interrompida durante o sono. Em casos leves, alguns pacientes podem usar aparelhos odontológicos na boca durante a noite para manter a mandíbula posicionada mais para frente e impedir o bloqueio das vias aéreas. Já nos casos moderados a severos é necessário o uso de uma máscara facial de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP, na sigla em inglês). “Esse aparelho joga ar na via respiratória, mantendo-a aberta”, afirma o otorrino.  Atualmente, a inalação feita com CPAP é, de acordo com Rodrigo, um tratamento padrão e eficiente para a apneia do sono na maioria das pessoas, podendo ser realizado em casa. “Os sintomas costumam ser completamente corrigidos com este método”, acrescenta.

As cirurgias também são uma ótima opção em alguns casos. Elas podem ser realizadas no nariz, na cavidade óssea, na estrutura óssea da face ou para remover amígdalas e adenoides. Neste último caso, porém, ela é mais recomendada para curar a doença em crianças pois nem sempre é eficaz em adultos.

 

Prevenção

De acordo com Rodrigo Magalhães, a adoção de hábitos saudáveis ajuda bastante a prevenir a apneia. Manter o controle do peso, [já que uma das causas da síndrome é a obesidade], ter alimentação balanceada, praticar exercícios físicos com regularidade e evitar o uso de bebidas alcoólicas em excesso, principalmente durante a noite, além de medicamentos sem receita médica, são as principais medidas para quem não quer comprometer a qualidade do sono. “Pessoas que já estão diagnosticadas também devem, paralelamente ao uso do CPAP, optar por fazer todas essas mudanças no estilo de vida. Dessa forma o tratamento terá mais chances de ter sucesso”, finaliza o médico.

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