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27.09.2017
População sofre com a falta d’água em Brumadinho

Segundo levantamento de representantes da ONG Abrace a Serra da Moeda, mais uma nascente da região de Brumadinho tem sua vazão comprometida por conta da atuação da Coca Cola. Desta forma já são duas comunidades abastecidas por caminhão pipa

Mais de 500 famílias de Brumadinho, na grande Belo Horizonte, estão sofrendo com a falta d’água no último mês. Isso porque as    nascentes de Suzana (Suzana A e B), que fazem parte do Monumento Natural Municipal da Mãe D’água, na Serra da Moeda, responsáveis pelo abastecimento de parte da região, vem reduzindo drasticamente suas vazões, devido a atuação da fábrica de refrigerantes da Coca Cola FEMSA, instalada no município de Itabirito, às margens da BR-040, em meados de 2015. A denúncia é da ONG Abrace a Serra da Moeda.

Segundo representantes da instituição, a nascente Suzana A, tinha na época da instalação da multinacional, uma vazão de 19m³/hora de água, e no último dia 31 de agosto foram registrados apenas 10,5m³/hora, queda de quase 50% no volume hídrico, conforme relatório do SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto – de Itabirito. “Para atingir sua capacidade máxima de produção, a fábrica de refrigerantes demanda uma grande quantidade de água, que é retirada do aquífero Cauê, que alimenta as nascentes de Suzana e Campinho A, B e C. A Campinho B, por exemplo, já secou completamente em abril de 2016 e, com isso, a população local, estimada em 300 habitantes, passou a ser abastecida por quatro caminhões pipa diários enviados pela Coca”, afirma presidente da ONG, Maria Cristina Vignolo.

Mesmo sabendo disso, o órgão ambiental competente autorizou a empresa a continuar extraindo 173.253m3 de água por mês para atender a demanda de seus poços, embora a fábrica não tenha apresentado estudo prévio de impacto ambiental e hídrico.

Em sua defesa, a Coca Cola vem alegando, tanto para a ONG quanto para o Ministério Público, por meio de estudos hidrogeológicos, que a deterioração destes aquíferos foi provocada unicamente pelo baixo índice de chuvas na região, entre 2012 e 2016, e que, portanto, não existem evidências técnicas suficientes de que ela estaria contribuindo para o rebaixamento das nascentes.

Por outro lado, o relatório hidrogeológico contratado pelo SAAE de Itabirito junto a Angel Ambiental, celebrado entre Ministério Público Estadual, Coca Cola FEMSA e SAAE de Itabirito conclui que o bombeamento de água subterrânea feito pela multinacional poderá interferir em algumas nascentes situadas no limite do Sinclinal Moeda, na borda da escarpa Oeste do mesmo, ressaltando-se nesse sentido as nascentes da Comunidade Suzana (N-07 e N-08), situadas a 0,5 km e 1 km, respectivamente da captação dos poços.

Visando solucionar esse impasse, membros da ONG Abrace a Serra da Moeda decidiram procurar o Ministério Público da Comarca de Brumadinho. O órgão, entretanto, afirma que o caso deve ser resolvido em Itabirito. “Pedimos que as autoridades públicas tratem este assunto de forma urgente e com respeito aos moradores”, alerta Vignolo, acrescentando que essas nascentes alimentam, inclusive, o Rio Paraopeba, que, por sua vez, é um dos responsáveis pelo abastecimento da grande BH. “Se elas forem comprometidas, como já estão sendo, cedo ou tarde a população da capital mineira também vai ter que entrar num esquema de racionamento, ou seja, a devastação tem efeito dominó”, destaca a ambientalista.

Para evitar que isso aconteça, a ONG Abrace a Serra da Moeda, apresentou à direção da Coca-Cola alternativas locacionais para o abastecimento dos poços que operam na fábrica. Uma delas é captar água do Ribeirão do Silva, onde o SAAE de Itabirito tem uma outorga de 396 m³/hora, o suficiente para atender a demanda da multinacional.

 Falta d’água compromete serviços básicos para comunidade

Segundo o presidente da Associação de Captação de Água da Serra (ACAS), Jorge Teles, de 56 anos, que também é morador da comunidade Suzana, o rebaixamento da nascente já provoca graves reflexos na população local. “São enviados apenas dois caminhões pipa por dia para atender cerca de 500 famílias, o que é insuficiente. Às vezes eles nem vem”, denuncia Teles, acrescentando que a comunidade tem uma escola com 700 crianças, além de um posto médico que atende quatro localidades próximas. “Se a nascente esgotar por completo, infelizmente, esses espaços terão que ser fechados”, alerta.

Jorge destaca ainda que os moradores mais ativos da comunidade estão se mobilizando junto ao Ministério Público e o SAAE de Itabirito para que sejam tomadas medidas eficazes que estimulem a prevenção do patrimônio da Serra da Moeda, mas que nada, até agora, foi feito.  “Somos tratados como uma formiguinha no combate a um elefante”.

Quem também sente um descaso do poder público com a situação da nascente Suzana, é a professora aposentada Vera Rita de Souza, de 63 anos, moradora da região há mais de quatro décadas. Ela reclama que, além da má distribuição dos caminhões pipa, a comunidade conta com um posto artesiano precário. “Como ele foi furado há muitos anos, não opera com eficiência, deixando várias famílias na mão”, pontua.

Proprietária de um lote próximo a uma pequena cachoeira, que faz parte da nascente, Vera vem percebendo, nos últimos dois anos, a queda constante no volume d’água e ainda alega que a Coca Cola se omite a prestar socorro de forma mais incisiva aos moradores, diferentemente do que aconteceu em Campinho, quando a empresa, para se resguardar de eventuais sanções, comprometeu-se com o fornecimento de quatro caminhões pipa diários. “Na primeira reunião que fizemos, logo quando a vazão da nascente começou a diminuir, eles [Coca Cola] foram bem receptivos, mas com o passar do tempo passaram a demorar nas respostas aos nossos pedidos, descartando qualquer possibilidade de ajuda mais efetiva”, lamenta.

IGAM decreta situação de escassez hídrica na bacia do Paraopeba

No último dia 04, a Diretora-Geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), Maria de Fátima Chagas Dias Coelho, declarou, por meio da portaria nº47, situação crítica de escassez hídrica superficial em parte do Rio Paraopeba, que é alimentado também pelas nascentes da Serra da Moeda e abastece vários bairros de Belo Horizonte e região metropolitana.

O documento determina a redução de 20% do volume diário outorgado para as captações de água voltadas ao consumo humano ou abastecimento público; 25% para a finalidade de irrigação; diminuição de 30% da captação da água no uso industrial e agroindustrial; e 50% para as demais finalidades. Essas restrições são válidas até o final do período seco deste ano, previsto para o próximo dia 30. “Isso mostra claramente que este problema de Suzana e Campinho, que parece ser pequeno, na verdade é bem maior e evidente do que imaginamos. Pode estar afetando, inclusive, o Paraopeba, que ao ficar com baixa vazão, irá atingir a capital mineira e várias cidades da grande BH que dependem desta bacia. Por isso, esta agressão ao meio ambiente, a qual assistimos, não é algo que diz respeito apenas aos moradores de Brumadinho. Atinge a todos”, finaliza Cristina Vignolo.

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